Para as Rendilheiras da Praça


Uma fada feiticeira
Presidiu ao meu nascer,
E fez de mim rendilheira
P'ra maior encanto ter.

Das minhas mãos pequeninas,
Que um anjo veio beijar,
Saem rendas peregrinas
Feitas da luz ao luar.

Sou como o bilro inquieto
No seu eterno girar ...
O rouxinol que, liberto,
Só pensa alegre em cantar.

Cresce a renda e não entendo
Porque milagre ignorado,
Vai o meu sonho crescendo
No meu cantar embalado.

Dentro de mim acalento
Uma ilusão perfumada
A prender-te um momento
Na minha linda almofada ...

E quando enfim te prender,
Hei-de tecer e cantar
Duas pombas a viver
Juntinhos no mesmo Lar ...

Vamos cantar Rendilheiras,
Para prendermos quem passa
Nas canções tão feiticieras
Do nosso RANCHO DA PRAÇA.


Branca Cruz

In "O Democrático" Ano XXI - Nº 970 de 22-07-1933
1ª Pág. na 5ª e 6ª colunas