RANCHO DA PRAÇA

 

Ao formarem-se em Vila do Conde dois ranchos, o das Rendilheiras da Praça, como é óbvio, tinha de atrair e absorver para seus componentes, adeptos e simpatizantes, toda a população da zona ribeirinha e da beira-mar.

Ribeira das Naus, bairros da Doca, Socorro e Praça Nova, ou sejam todos os bairros que se espraiam até ao mar e à Praça Velha foram e são por simpatia e devoção do Rancho da Praça.

E não podiam deixar de o ser, sem menosprezar o que de genuíno e castiço o seu Rancho simboliza; gente da beira-rio e da beira-mar para quem o rio e o mar são o natural prolongamento do seu torrão natal; zona de mareantes onde nasceram e se criaram os nautas vila-condenses, zona de pescadores e de tripulantes e capitães de marinha mercante que correram mundo mas tendo sempre viva a lembrança da sua terra natal; chãos em que se implantaram as Capelas da Senhora da Guia, Socorro, S. Bento e S. Roque e as Igrejas do Carmo, Misericórdia e Matriz a atestarem a vida e a devoção da gente da Praça; berço das manufactureiras de rendas, rendas que não só sugerem como vincadamente traduzem os rendilhados do mar, dos seus camblantes de luar irisados; zona de emigrantes que consigo levam sempre viva a saudade do seu bairro e do colorido e cantares do seu Rancho; berço de hábeis e operosos mercadores, mesteirais e artífices cuja invejável pujança fez enriquecer a sua terra e realçá-la entre as demais.

E porque assim é não há dúvida pois que o famoso Rancho da Praça, pela sua alegria e nível artístico, da sua terra é bem uma simbolização que se perpetua como tudo o que é duma rara e inconfundível beleza.

 

                                               

Por Manuel Cunha Reis