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Rendilheiras
Rendilheiras, rendilheiras
Nossas rendas delicadas
Sabe Deus quantas canseiras
Rendilheiras, rendilheiras
Nelas temos empregadas.
Nossas rendas são feitas cantando
Longas horas à porta sentadas
E os bilros nos dedos saltando
E os peitos arfando
Sobre as almofadas.
Mas cantamos pobres raparigas
Sem vontade talvez de cantar
Quantas vezes as nossas cantigas
Encobrem fadigas de fazer chorar.
Mas cantamos às vezes alegres
Um só eco no peito responde
É o orgulho das mãos feiticeiras
Somos rendilheiras de Vila do Conde.
FRANCISCO CUNHA
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