Estalado

 

 

 

            Ele:

 

- Diz-me lá o rapariga

Qualquer nova p`ra eu saber

Na terra do «há quem diga»

Deve haver bem que dizer.

 

            Ela:

 

Diz-se que o Monte fez bico

Ao ver a Praça guerreira

E como não tinha o Chico

Chamou o Dr. Ferreira.

 

            Ele:

 

Será verdade? Tem graça

Até parece ilusão

Ser preciso um cá da Praça

P`ro Monte tão valentão.

 

            Ela:

 

Ó Monte, sem brincadeira

Canta lá se fores sincero

Viva o Doutor José Ferreira

Que foi o nosso Asuéro!

 

            Ele:

 

O Cândido com voz zangada

Jurou por todos os pontos

Que se não metia em nada

Nem que lhe dessem dez contos!

 

Ela:

 

- E foi no conto e tudo...

Mas diz que não volta mais,

Trabalhar só que é canudo

Arre Monte, que é demais.

 

            Ele:

 

O Dr. Pereira então

Diz com ar enfastiado

Já não estou p`ro S. João

Estou velho, `stou acabado!...

 

            Ela:

 

- Diz uma voz estridente

O Canavarro sem teinto

Ou segue tudo p`ra freinte

Ou largo-me p`ra um Conveinto!

 

            Ele:

 

O Dr. Silva, o da Alma

Que canta e que vai a fonte

Quer dinheiro e muita calma

Pois de contrário adeus Monte!

 

            Ela:

 

Isso são doutores a rodos

P`ra tão pequeno papão

Mas podem leva-los todos

Que nunca nos calarão.

 

            Ele:

 

Não vive só nesta gente

A alma do Monte já morta

Tem um outro que é gerente

Da fábrica de Retorta.

 

            Ela:

 

As marchas que o Monte entoa

Com mais vida, com mais graça

Não são palavras à toa,

São dum doutor cá da Praça!

 

Ele:

 

Não cantes mais, viva a Praça

Que à certa é que leva a palma

Deixai a alma do Monte

Que é pouca p`rá nossa Alma.

 

                                   CUNHA ARAÚJO